quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Vida de louvor




Vida de Louvor I

Salmos
Acompanhe aqui um dos estudos bíblicos dados por Ana Paula Valadão Bessa durante a Conferência “Tocando a Trombeta”, no Japão

Hoje veremos um pouco sobre o que é vida de louvor, ou seja, vida de gratidão e adoração a Deus. É do meu entendimento que o meu louvor não se restringe a um momento quando eu canto ou toco o meu instrumento. Meu louvor a Deus não está limitado aos momentos que chamamos de “culto”, com outros irmãos ou a sós. Meu louvor a Deus é um estilo de vida.

A palavra “louvor” na Bíblia é
halal, que significa exaltar, louvar, vangloriar. Ela possui termos derivados, como hillûl – júbilo festivo, exultação, canções de louvor, festas; mahalal – louvor; e tehillâ – louvor, atos dignos de louvor. Possui ainda sinônimos, como yadâ – louvar, dar graças; ranan – cantar ou gritar de júbilo; shîr – cantar louvores; barak – louvar, bendizer; gadal – engrandecer; rum – exaltar;zamar – cantar, tocar, louvar. Possui cognatos, ou seja, palavras de mesma origem, como alalu – gritar, vangloriar-se; sululu – saudar, aclamar, gritar, demonstrar alegria. Essa raiz em estudo, halal, ocorre 206 vezes somente no Antigo Testamento.

Mas o uso mais freqüente dessa raiz diz respeito ao Deus de Israel. Quase um terço destas passagens acontece nos salmos e o maior número de ocorrências traz convocações, imperativos ao louvor. Na verdade, elas enfatizam a necessidade do louvor a Deus. O culto a Deus era o centro da vida do povo de Israel e estava fortemente ligado à vida e influência de Davi, o Rei amado.

Convocações da Bíblia para que louvemos a Deus

A Bíblia nos convoca a louvar a Deus continuamente, em todo o tempo: Salmos 34.1,2; 35.28; 71.8; 44.8; 63.4,5; 115.18; 119.164 (7 vezes, o que significa uma conta completa. Ele louva a Deus todo dia); 145.1-3; 146.1,2; Hebreus 13.15. Mas como fazer para louvar a Deus continuamente? Posso estar sempre cantando, ou assoviando, ou cantando em minha mente e coração. Posso sempre abrir a minha boca em minhas conversas para dar glória a Deus. Ou ainda, posso ter sempre uma atitude de louvor a Deus no meu interior, que é o oposto de um coração endurecido, cheio de críticas, reclamações e murmurações.

A Bíblia nos convoca a louvar a Deus de dia: I Crônicas 23.30a (Davi instituiu 400 levitas para louvarem a Deus todas as manhãs com seus instrumentos e seu canto. Eles cantavam coisas do tipo: “O Senhor é bom e a sua misericórdia dura para sempre”); Salmos 35.28; 92.1,2; 113.1-3. Nos convida ainda para louvar a Deus de noite: Salmos 42.8; 63.6,7; 119.62; 134.1 (os adoradores, ao se despedirem, responsabilizaram os levitas por continuarem o louvor ao Senhor no decurso da noite – I Crônicas 9.33).

A Bíblia nos convoca, ainda, a louvar a Deus por quem Ele é: Salmos 18.1,2; 22.3; 45.1,2; 48.1; 95.1-3; 96.4; 104.1; 107.1. Nos chama a louvar a Deus por seus poderosos feitos: Salmos 8.1; 9.1; 20.5; 30.1; 40.1-3; 66.1-3; 71.15; 98.1; 101.1; 106.1,2; 118.15; 150.2. Nos convoca a louvar porque é bom e agradável: Salmos 33.1; 54.6; 92.1; 147.1. Nos estimula a louvar a Deus no meio do seu povo e também entre os “gentios”, ou seja, os incrédulos: Salmos 18.49; 22.22-25; 34.2,3; 35.18; 40.3; 57.9-11; 96.1-3; 105.1,2; 111.1; 138.1. Há ainda várias referências que nos estimulam a louvar a Deus com instrumentos, com nosso corpo, vozes e vidas; no seu templo (ou santuário), porque ali era o lugar de adoração contínua; enfim, chama TODOS a louvarem ao Senhor.

A palavra “adoração”, no Velho Testamento, é
’ãbad, que significa fazer (ou ser feito), criar (ou ser criado), executar (ou ser executado). Possui alguns termos derivados, mas no que se refere à vida de louvor, vemos que o sentido básico desta raiz se refere ao cumprimento de um dever ou atividade. Em Esdras 6.7 todo o povo foi conclamado a “fazer”. Entende-se isso por “obedecer”. Fazer a lei de Deus está intimamente associado à idéia de “adoração”, à qual, conforme entendida no pensamento judaico, era “serviço” ou “escravidão” a Deus. Aliás, esta idéia continuou de pé até a época do NT, conforme claramente se vê nas inúmeras vezes em que Paulo se refere a si mesmo como o “escravo” ou “servo” de Jesus Cristo.


Vida de Louvor II

Vários
Esta é a segunda parte do estudo bíblico sobre vida de louvor, ministrado por Ana Paula Valadão durante a I Conferência de Louvor e Adoração "Tocando a Trombeta", em Agosto deste ano, no Japão Há também o termo pelah, que significa servir, adorar, reverenciar, ministrar. Este termo diz respeito ao serviço religioso e aparece em Daniel 3.17, trazendo a determinação dos amigos de Daniel em não servir – ou não adorar – a outros deuses. Para eles, a idolatria era algo tão errado que não adorariam nem serviriam a um deus falso, mesmo que Deus decidisse operar um milagre especial (como fez tantas vezes no passado). Eles não aceitaram cometer idolatria nem mesmo para salvar suas próprias vidas.

O emprego mais curioso da raiz tem a ver com o nome de um dos companheiros de Daniel. Esses 4 jovens foram para o cativeiro babilônico tendo nomes claramente hebraicos, cada um deles com sentido simbólico relacionado à adoração de Iavé, o Deus de Israel. Hananias e Azarias são nomes que contém a forma abreviada do nome Iavé e significam, respectivamente, “Yah tem sido gracioso” e “Yah tem nos ajudado”. Seus captores babilônicos, porém, rapidamente alteraram seus nomes hebraicos (ou “iavísticos”) para nomes babilônicos – em especial, o novo nome dado a Azarias, “Abede-Nego”, tem um significado muito claro, parecendo uma dissimulação de “Abede-Nebo”, ou “escravo de Nabu”, deus babilônio da sabedoria. Era uma forma de humilhação no cativeiro, que simbolizava a vergonha de ter o seu nome verdadeiro trocado.

Um aspecto importante do livro de Daniel é mostrar que Iavé ainda está no controle da história, a despeito do seu povo estar exilado e parecendo derrotado. Para confirmar isso, o clímax do livro está no relato do episódio na fornalha de fogo ardente, em que a mensagem objetiva é demonstrar a fidelidade de Daniel e seus companheiros em adorar somente a Iavé. Nenhum deus babilônio merece a adoração ou devoção do povo de Deus. Assim sendo, embora aqueles tivessem mudado o nome de Azarias para Abede-Nego, sua fé permaneceu firmada unicamente em Iavé.

Existe ainda um outro termo para estudarmos, que é
’ãtar (orar, suplicar), com o derivado ’ãtãr (suplicante, adorador). Este termo tem o sentido de fazer uma oração ou súplica sincera, pedir ou implorar graça. Ele traz uma característica muito interessante: não possui nenhum vestígio de emoções falsas ou de “adulação”; pelo contrário, suas características são de simplicidade, sinceridade e confiança infantis em relação a Iavé.

Este termo denota uma coerência e não uma disparidade entre a oração na adoração pública coletiva e a oração particular do indivíduo. A oração bíblica é espontânea, pessoal, motivada pela necessidade e não restrita e uma hora nem local. Significa que é possível chegar-se a Deus em todo local e toda hora do dia. Isso fica claro porque, na adoração de Israel, apesar das minuciosas instruções quanto aos sacrifícios, não existe uma liturgia rígida de oração. Esta devia ser espontânea.

Das 20 ocorrências de
’ãtar, 8 aparecem no contexto das pragas do Egito (Êxodo 8.8,9; 8.28-30; 9.28; 10.17,18). Em Êxodo 8.28 estabelece-se um relacionamento entre sacrifício e oração de súplica. Atos sacrificiais aparecem associados a súplicas também em II Samuel 24.15, onde Davi oferece holocaustos e ofertas pacíficas para interromper a praga. Portanto, ’ãtar diz respeito a uma oração feita a Iavé numa súplica sincera e fala também da resposta favorável a esta súplica através da demonstração maravilhosa de sua graça e favor, como vemos em Gênesis 25.21.

Temos ainda, no hebraico, outras 2 palavras que significam adoração:
sãgad (prostrar-se em adoração), que é empregada em Isaías 44.15,17,19 e 46.6, e hãwâ (prostrar-se, adorar), encontrada em Neemias 8.6. Nestas passagens, “adoraram” seria melhor traduzido como “prostraram-se até o solo”. Esse ato era bem comum como prova de submissão diante de alguém superior. Os muçulmanos realizam sua oração, salah, com um gesto elaboradamente prescrito, chamado sugûd, em que a testa deve encostar no chão. Encontramos ainda referências a este gesto em Gênesis 22.5; 24.52; Êxodo 11.18; 34.8; Josué 5.14; I Samuel 15.25,30,31; 28.14; I Crônicas 29.20; Ester 3.2; Jó 1.20. Há exemplos de adoração comunitária de prostração em Êxodo 4.31; 12.27; 33.10; II Crônicas 2.18; e também ordens e convites a esta adoração em Deuteronômio 26.10 e em Salmo 95.6. Prostrar-se era um ato comum de auto-humilhação, realizado diante de parentes, estranhos, superiores e, principalmente perante a realeza (Gênesis 18.2; 19.1; 23.7,12; 42.6; 43.26,28; Números 22.31).